
Sim, coisas extremamente tristes acontecem todos os dias. Hoje, a sorteada fui eu. Minha família tem uma cachorrinha, a Milly, há pelo menos 7 anos. Milly foi nosso prêmio de consolação quando a Baby morreu atropelada, bem na nossa frente por um FDP que fugiu.
Quando a Milly chegou, eu não tinha lá muita simpatia por ela. Ela chorava a noite toda (era filhotinha) e eu não queria que ninguém subistituísse a Baby. Enfim, o tempo foi passando e eu me apeguei demais à Milly, como era de se esperar.
Ano passado, exatamente uma semana depois de o meu melhor amigo morrer, algum outro FDP deixou o portão de casa aberto e a Milly fugiu. Rodamos aquele bairro inteiro, depois a cidade inteira, cada canil, cada canto, e nada dela... 22 dias depois, quando meu pai estava me levando pro trabalho, um cachorrinho branco e preto (mais preto do que branco, porque estava imundo), que estava fuçando no lixo em uma calçada me chamou a atenção... olhei melhor e vi a familiar coleirinha vermelha... sim, era a Milly. Eu chorava dia e noite por conta disso, porque não saber onde ela estava mais triste do que saber da morte dela, entendem? Ela tinha crescido no meu quintal, eu tinha certeza de que ela não saberia se virar na rua, passaria fome, sede, frio e apanharia de outros cachorros FDP's.
Ledo engano... Milly estava lá, gordinha, imunda, mas gordinha e saudável. Algumas feridinhas pequenas, coisas de rua, mas estava tudo bem. Desci do carro num ímpeto e corri pelo menio da rua sem olhar para os lados, gritando "Vem, Milly, vem!" Cena bem Hollywoodiana, sabe? Ela levantou a cabeça, olhou pra mim, ficou parada alguns instantes (estava se lembrando de mim e do nome que ouvia, mas na minha cabeça era tudo pra colaborar com a emoção da cena Hollywoodiana), então ela latiu e correu na minha direção. Ela choirava, latia, tremia toda de felicidade em pensar que voltaria pra casa - acho - chorava mais... Juro gente, foi desse jeitinho. Pulou em cima de mim e eu chorando que nem uma louca... levamos ela pra casa, eu, que estava indo pro trabalho, tive que tomar outro banho, porque ela estava podre, coitadinha, e me contaminou uahuahuauhhaua mas a felicidade superava qualquer coisa.
Bom, contei tuuudo isso pra dizer que, nesse meio tempo em que a Milly ficou desaparecida, minha irmã tratou de arranjar outra... eu, fui contra. Odeio essa idéia de perder alguém ou algo que você ama e simplesmente substituir na semana seguinte. Nina era um bebezinho marrom e gordinho, que lembrava muito a Baby. Apesar de não gostar da idéia, a Milly tinha sido tão especial pra mim, que decidi ser tolerante e amar a Nina desde o começo. Deixei ela dormir no meu quarto quando era bebezinha, tirei fotos fofas como essa aí de cima, fiz dormir no colo., levava comigo pro banheiro quando eu ia tomar banho.. cuidei bem dela, até a Milly reaparecer e a minha felicidade ficar completa.
Só que a Nina foi crescendo, e se tornando uma cachorra bem esquisita. Magrela que só ela, mesmo comendo o mesmo tanto da Milly (aliás, ela é tão gulosa, mas tão gulosa, que a gente tem que colocar a comida e ficar lá até elas comerem tudo, senão a Nina come a dela e a da Milly também). Feiosa, tadinha. Com unhas compridas e os ossinhos bem à mostra. Chata também. Late por qualquer coisinha, nunca aprendeu o lugar certo de fazer as necessidades, e não deixa a gente fazer carinho, ela pensa que vamos dar comida e já avança na nossa mão (eu disse, eá é muito esganada, nem sei como é tão magra).
Então lá em casa ninguém é muito fã da Nina... Todo mundo é mais carinhoso com a Milly, que também é super dócil e carinhosa, e a Nina sempre foi mais ou menos como eu, um pouco esquecida, injustiçada e mal amada. Só por ter uma personalidade diferente e não ficar agradando todo mundo o tempo todo... Ok, vou parar, minha crise de carência e a pena que sinto de mim mesma não são os assuntos de hoje. Continuando, minha família, apesar de amar os bichinhos, sabe que o lugar deles é lá fora; quando a Milly entra dentro de casa, somos relativamente tolerantes em algumas situações, mas com a Nina, coitada, só de ver a orelha dela lá dentro, alguém já grita "já pra fora, Ninaaaa!"
E assim fomos vivendo... até que hoje, quando eu acordei, minha mãe me disse pra me despedir da Nina, porque ela a levaria para o vetrinário hoje, e provavelmente eu não a veria mais. De uns tempos pra cá, a Nina vem sentindo dor pra sentar e tendo dificuldades pra levantar, está tão magra, que o quadril dela parece travar às vezes... as unhas estão crescendo demais, e minha mãe está achando que ela está com leishmaniose. Eu acho meio absurdo, se for assim, a Nina já nasceu com leishmaniose, porque ela só foi bonitinha quando chegou, depois já começou a ficar feiosa e esquisita assim... bom, a questão é que aquilo me doeu profundamente. Corri, peguei a câmera e tirei umas fotos dela, coisa que eu não fazia há muito tempo. Uma dessas fotos, é essa aí de baixo, que eu vou guardar como recordação.
Eu ainda prefiro ter fé de que ela não tem nada grave, o veterinário só vai recomendar uma alimentação melhor e vitaminas, Nina volta pra casa, pra latir de madrugada na minha janela e pronto, a vida volta ao normal e essa dor na minha alma passa. Assim como só ontem foi que eu percebi que eu amava a Tia Cida e sentia falta dela, só hoje percebi que a Nina significa mais pra mim do que eu pensava... nesses nove meses, eu me apeguei de verdade a esse bichinho, amei, e vou sentir demais se ela partir assim, tão cedo, deixando esse vazio no meu quintal e no meu coração.
A parte mais triste disso tudo, é pensar que a Nina não completou nem 7 anos ainda na idade dos cachorros (1 ano nosso são 7 anos para os cachorros. Nina está em casa há 9 meses, e tem aproximadamente 10 meses de vida). É como se eu tivesse que ver a eutanásia de uma criancinha inocente... tá, é um pouco de exagero, mas é assim que eu me sinto. Minha mãe quer mandá-la pra clínica pra ser sacrificada, se for o caso, pra ela parar de sofrer, e apesar de considerar esse pensamento, eu enxergo mesmo como eutanásia. Mas não tem saída, se ela estiver doente, ela pode contaminar a Milly, ou mesmo a minha família, e vai sofrer demais também.
PS: Quem escolhe esses nomes bestalóides pros cachorros é minha irmã.
PS2: Eu amo animais como se fossem pessoas. Não deixo dormir na minha cama, mas quando eles morrem, eu choro como eu choraria por você. E sim, eu sou especialmente sarcástica quando tá doendo aqui dentro.





12 Comments:
Pô Marcela, vc cortou meu coração com essa história. Principalmente ao comparar a nina com vc.
Só quem já teve uma afeição por um bichinho desses, sabe o que pode significar essa perda. Eu tive um vira-lata que achei na rua, que batizei de Gabriel Garcia Marques.
Alguns anos depois ele morreu e prometi que nunca mais teria um, até porque me sentia culpado. Descobri da pior forma que pra vc ter um animal em casa, vc tem que ter tempo pra cuidar dele.
De qualquer modo, torço pela melhora da Nina.
Vê se deixa a gente avisado.
Grande abraço
Ai amiga tomara que a Nina não tenha nada,eu morro de peninha dos bichinhos, quando estão doentinhos,sofrem em silencio.
Depois diga o que aconteceu com ela.
Beijão!
Amei seu blog!!!
Sou louca pelos meus cães e por tudo que é animal!!
Acho que por isso me tornei bióloga!
Ja vou te linkar!!!
Amei!!!!!
Vai dar tudo certo com seu baby!
Gde bjo!
Saudações de um blogueiro conterrâneo.. feed assinado e twitter seguido!
parabéns pelo blog!
Sorteeeeeeeeee Ninaaaaaaaaaaaa
eu me apego facil aos animais. gente, é muito ruim pq em geral eles vivem menos que a gente! :(
nossaa!
me veio td o filme de quando a "cachorra" fugiu aqui!
eu amo os bichinhos, muito mesmo! e sofro junto com eles...
tomara que a nina fique bem!
to torcendo por aqui!
beijokassss!
Eu também amo os animais na mesma proporção em que amo as pessoas. E os nomes dos seus cães não são bestalóides, são normais. Meus cães é que têm nomes bestalóides. A Latifa tem esse nome porque seu pêlo enroladinho me lembra o cabelo da personagem da Letícia Sabatela em O Clone. O Lost recebeu esse nome porque foi encontrado perdido na rua. O Beagle é chamado assim porque, apesar de ser um cocker, minha mãe sempre quis um beagle. E não é que ele parece um são-bernardo? :)
Sinceramente, eu só gosto de animais de pelúcia ou em papel de parede, rs. Morro de medo de cachorro, mesmo q seja um filhotinho q caiba na minha mão. Fico estática qd vejo algum q pode realmente me oferecer perigo. Sem voz, sem movimento, sem cor. Hahahaha, chega a ser engraçado!
Mas isso q vc falou, de só dar valor à Nina agora, puxa isso é tão comum, né? A maioria das vezes a gente só dá valor às coisas qd pode perdê-las. Tenho até medo de pensar nisso, vou voltar a trabalhar pq ler três posts e comentá-los já gastei um tempão, hehe.
Bjo, fica com Deus.
Oi,
Primeiro gostaria de te pedir desculpas, porque te prometi um post sobre religião e acabei não postando.
Não vou nem te dizer que não postei.
Até tentei postar, mas...
Menina não dá nem para explicar, é uma coisa louca demais.
Mesmo assim gostaria de pedir uma nova chance, passe lá no meu bloguinho e veja que mesmo não postando sobre religião ainda assim posto sobre coisas bem legais.
Depois gostaria de compartilhar com você um pouco de entendimento: eu sei sim, o que é isso pelo que você tá passando.
Eu também tenho uma cachorrinha a Kiara, que é meio feinha. Parece uma morcego com patas sabe?
Ela é super bravinha, na dela, não gosta de carinho.
Por isso a minha família sempre privilegiou um pouco a minha outra cachorra, a Estrela uma típica carente, que quer entrar em casa e ficar deitada com a gente no pufe...
Uns meses atrás a Kiara ficou doente. Não tinha fome, não se movimentava.
Minha mãe também falou da eutanásia...
Eu simplesmente fiquei super mal, porque nunca dei muita atenção a ela sabe?
Graças a Deus ela se curou.
E hoje está ótima, do jeitinho dela, mas ótima.
E eu pude "fazer as pazes" com ela.
Por isso, não perca as esperanças.
Estou torcendo pela Nina de coração!
Beijos,
Girl
Tow emocionada só de ler a história... tbm sou apaixonada por animais, jé tive vários gatos, mas minha paixão mesmo é cachorrinho... só que moro num ap pikinininho e minha mãe nõ quer que eu crie um por causa disso, então convivo com essa frustração... e sempre que vejo um filhotinho, até choro, só de vontade de ter um! Pena que já sabemos que a despedida não está tão longe assim... mas não perco as esperanças e, assim que tiver minah casinha, vou ter um!
Já li o post de cima e sinto muitíssimo... Bichinhos de estimação são entes super queridos e eu imagino a dor que vc sente, pois já passei por isso 3 vezes!
Bjão e saúde pra vc e sua Milly!!!
E a Nina está com Deus...
A gente se apega a eles de uma forma que depois dói a perda como se fosse um membro da família( que na verdade são).
Percebem quando estamos tristes e vem abanando o rabo e pedindo atenção, brincam e acabam nos fazendo rir.
Senti uma tristeza lendo seu post.
Nunca tive um bichinho por isso, medo de me apegar, e depois acontecer alguma coisa.
Quando eu era criança, meu avô tinha um cachorro vira-lata e minha mãr diz que ele era lindo, e eu com meus 4 anos adorava ele. Ela diz que eu pintava e bordava e o bicho nao fazia nada, parecia gostar e ele morreu atropelado, um rapaz jogou pedra nele e ele pra sair fora entrou debaixo de um trem.
Minha mãe conta que foi uma tristeza só. Depois disso meu avô arrumou outro cãozinho, tbm vira-latas, lindo, e eu tbm adorava ele. O bicho ficou diente. Vivia triste pelos cantos, um dia começou a colocar sangue pelo nariz, onde ele deitava ficava uma poça de sangue, teve que ser sacrificado.
E eu fiquei com trauma.Bicho só de pelúcia.Tenho dó de ver o bicho sofrendo sem poder fazer nada, e isso acaba comigo.
Tomara que vc tenha boas noticias sobre a Nina!
Beijos!
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