Eu nasci e cresci na religião evangélica. Meu pai era uma espécie de católico-agnóstico, e minha mãe nascida e criada na igreja evangélica. Meu pai não interferiu na criação religiosa que eu e minha irmã tivemos por parte da família da minha mãe, e, um belo dia, ele também acabou sucumbindo. Não que ele seja um evangélico hoje, mas se perguntar se é, ele diz que é, embora não frequente a igreja e não tenha lá muitas atitudes cristãs.
Eu sempre gostei da igreja e da religião, mas fui crescendo e adquirindo autonomia (que também pode ser entendida como cultura, maturidade e idéias próprias), e, com isso, passei a questionar diversas coisas, entre elas a religião evangélica em diversos aspectos. Por não conseguir as explicações que eu buscava e as respostas para as minhas questões interiores, me decepcionei com a religião. Continuei praticando coisas que eu gostava de fazer, como escutar Aline Barros, cantar louvores, orar (eu não apenas oro, mas tenho uma intimidade gostosa com Deus e converso com ele), ler a Bíblia (tá, esse último eu não faço muito, justamente porque entro em conflito interno)... só que parei de frequentar a igreja.
Vez ou outra, eu apareço por lá; ou mesmo na igreja Bíblica (que é só um pouquinho diferente da Batista, que eu frequentava) onde meu tio é pastor, mas nunca me batizei, não dou dízimo, não participo de grupos de estudos, e não me considero membro. No entanto, quando sou questionada sobre a minha religião, eu nem penso duas vezes, e a minha única dúvida na hora de responder é sobre dizer se sou 'evangélica', 'crente', 'batista' ou 'cristã' (o que pra gente é tudo a mesma coisa, mas pode influenciar muito na opinião a seu respeito para a pessoa que recebe a resposta).
Resumindo, eu tenho muita fé, muito amor por Deus, converso com Ele a qualquer momento, sem que as pessoas sequer percebam que estou orando... só não concordo com algumas idéias da religião evangélica. Já pensei até em ir para o Seminário, não para me tornar pastora ou missionária, apenas para sanar minhas dúvidas e aprender mais de Deus, mesmo. Quem sabe um dia eu ainda consiga ir...
Mesmo com essa criação um tanto fechada (eu não tinha pra onde correr, a família da minha mãe é absolutamente evangélica, tenho um tio pastor, um primo seminarista e todas as minhas primas cantam nos cultos e participam de uma porção de coisas. Já a família do meu pai é absolutamente católica, minha vó é da Legião de Maria, meu tio pede ajuda pra Nossa Senhora, enfim... apenas duas tias, que são casadas com os irmãos do meu pai, ou seja, não saõ tias de sangue, são espíritas, mas são super na delas, pra não destoar muito da família), eu sempre tive a cabeça muito aberta.
Quando mais nova, eu tive curiosidade sobre o catolicismo. Mesmo contrariando a minha mãe, eu pedi para a minha vó (essa da Legião de Maria) me levar com ela à missa. Bem... cada um tem a sua opinião sobre tudo, e assim como tem gente que acha que a religião evangélica é patética, eu me dou o direito de dizer que não gosto do catolicismo. Não quero incitar discussões nem irritar católicos, estou apenas defendendo o que eu vi e senti, ok?
Esse é o meu blog, e acho que eu posso dizer, sem ofender ninguém, que achei muuuita bobagem as pessoas cantarem músicas praticamente sem conteúdo nennhum e sem acompanhamento de sequer um instrumento; achei muito chato ter que ficar a missa toda repetindo frases feitas, que você aprende desde pequeno e também acho um absurdo as orações (ou rezas) serem decoradas, como o Pai Nosso e a Ave Maria, por exemplo. Cara, conversar com Deus é tão gostoso! Contar o que você quiser (mesmo Ele já sabendo de tudo), pedir coisas, agradecer outras coisas... Então eu realmente não vejo sentido em rezas decoradas, muito menos quando uma pessoa faz isso com um terço, contando em bolinhas quantas vezes já recitou aquilo. Lembrando que, eu não estou julgando a religião. Estou apenas dando a minha opinião, opinião essa, que é fundada, já que eu frequentei a igreja por um tempo com a minha vó e tenho algum conhecimento sobre.
Outra coisa que não gosto no catolicismo são os Santos. não acredito que ninguém seja digno de santidade e adoração, a não ser o próprio Deus. Somos todos humanos, todos cometemos erros, e por isso não temos o direito à santidade. Além do mais, para quê eu vou pedir a intercessão de Santa Rita dos Pacová em uma coisa minha se eu posso falar diretamente com Deus? Vai entender.
Bem, assim sendo, eu fui seguindo a minha vida e fazendo mais alguns experimentos. Fui à igreja Ágape (um outro tido de evangélica), conheci os Mórmons, li sobre o Candomblé, arrumei um namorado Panteísta, e li alguns livros Espíritas, embora nenhum deles fosse sobre o espiritismo em si. Mas não me dei por satisfeita. Não me aprofundei muito em nada, e continuei sentindo aquele peso na alma por ter me afastad0 da igreja batista.
Ontem, conversando com uma das minhas melhores amigas, Natalí, comecei a entender algumas coisas sobre a personalidade dela. Ela estava me explicando sobre a doutrina Espírita, e eu comecei a ligar os pontos da explicação ao fato de ela, Natalí, ser uma pessoa doce, que ajuda todo mundo, apóia, dá conselho... é isso, espiritimo é uma doutrina do bem, que acredita em Deus. Os espíritias são cristãos, fazem caridade e não ficam por aí jogando pedras em pessoas de outras religiões e dizendo que são coisas do demo, como muitos católicos, evangélicos e etc fazem contra os espíritas. Gostei muito da minha conversa com a Natalí e combinei de ir conhecer um Centro qualquer dia desses.
Claro que minha mãe ficou chocada com a idéia de eu conhecer um Centro Espírita, disse umas bobagens e blá blá blá, mas eu sou maior de idade, vacinada e quero satisfazer essa curiosidade. Eu não vou me converter, até porque, apesar de admirar muitos pontos da doutrina, eu não acredito em espíritos, mediunidade e tal, mas não vai me cair nenhum braço ou perna só por eu ser tolerante a fé de outras pessoas e por querer conhecer outras religiões. Tenho certeza de que Deus não vai me castigar por isso. E tem mais, cada um acha que a sua religião é a melhor, é a que salva, minha mãe já quis até me provar que só os evangélicos vão para o céu, ah gente, aí é forçar a barra, né?
Se na nossa bíblia estiver escrito alguma coisa semelhante a isso, aposto que na bíblia católica também está, e no alcorão, e naquele livrinho dos budistas e em milhares de outros livros. Deus nunca disse que uma determinada religião é certa, melhor ou a única que salva, então, mesmo eu tendo a alma e o coração (a cabeça não) na igreja evangélica, eu vou continuar andando por aí e conhecendo tudo o que eu puder.
Ah, só mais uma coisa: existem coisas realmente muito estranhas, e isso eu não posso negar. Logo depois da conversa com a Natalí, eu precisava/queria falar com uma outra amiga minha, a Simône, pra perguntar onde ficava o Centro e a hora da Palestra (a missa ou culto), só que a Simône desapareceu do meu MSN e do meu Orkut misteriosamente, e eu nunca mais a vi on-line... ah, e eu não tinha o telefone dela pra ajudar. Eu já ia correr atrás de um jeito de descobrir o telefone dela, quando... ela me chamou no MSN. oO Depois de meses sem aparecer por lá e sem fazer a menor idéia de que eu queria falar com ela.
Enfim, depois de tudo combinado com ela para eu conhecer o Centro hoje à 19h, ontem eu tive um sonho doido. Antes de dormir me veio um pensamento inusitado... com a casa do tio Hélio, o irmão da minha vó, que morreu de câncer há uns 10 anos, se não estou enganada. Minha vó gostava muuuuito dele (acho que mais do que dos outros irmãos dela, mas abafa o caso). Meu pai e os irmãos dele que cresceram em Guararapes, ficavam sob os cuidados da tia Cida, mulher do tio Hélio, quando eram pequenos e meus avós iam trabalhar. então meu pai cresceu naquela casa, com aquelas pessoas e tinha muito carinho por elas, assim como eu, que desde pequena fui levada pra lá todos os finais de semana, de visita, e aprendi muita coisa correndo das galinhas no galinheiro que tinha no fundo no quintal, brincando de boneca debaixo das árvores e subindo nos imensos e incontáveis pés de jabuticaba do quintal (acho que é por isso que eu sou tão apaixonada pelo pézinho de jabuticaba lá de casa).
Tia Cida morreu do coração há uns 5 ou 6 anos, ou talvez mais, realmente não me lembro direito. Eu estava com minha mãe e minha irmã em um rancho, com o pessoal da igreja; meu pai não sabia onde ficava o rancho e os celulares não funcionavam lá, então não fomos achadas com tempo, e tia Cida foi velada e enterrada antes que nós soubéssemos de sua morte. Fiquei muito chateada... primeiro por ela ter falecido, claro, e segundo por não ter dado o último adeus à ela.
Eu nunca mais vi aquela casa... o casal tinha duas filhas adotivas que sempre foram problema. Depois da morte da tia Cida, uma delas vendeu a casa e todos os móveis para pessoas desconhecidas a preço de banana, mesmo sabendo que meus tios e minha vó pagariam o que fosse pela casa e por alguns móveis de estimação, que haviam sido dos meus bisavós. Não sei quem mora naquela casa hoje e mal sei dessas duas primas tortas, Carla e Luciane.
Tudo o que eu sei é do nada, comecei a pensar na tia Cida, em especial, e nos momentos que tive na casa dela; em como ela era doce, generosa, e em como a comida dela era a melhor do mundo (que me desculpem minha mãe, minhas avós e minhas outras tias, mas eu estou sendo sincera). Ainda tenho lembranças frescas na cabeça de um dia em que ela insistiu pra que eu comece sucrilhos com leite, e eu, que nunca tinha comido aquilo na vida, experimentei aquele negócio com leite puro (blé) pela primeira vez e adorei. Também me lembro do último dia em que fui lá, e como tudo parecia bem... o cheiro das compotas de mamão, laranja e abóbora que sempre pairavam no ar, e eu que já não brincava mais de boneca, mas ainda sentava debaixo da mesma árvore. Também me lembro com perfeição do cheiro e do gosto daquele macarrão com um molho claro (que não sei do que era) e dos bifes no alho, da minha última refeição lá, em um dia de semana em que fui acompanhar minha vó em uma visita surpresa.
Eu tenho muitas lembranças fortes da minha infância, e, apesar de tudo isso que contei, a casa da Tia Cida não era uma lembrança que eu guardava em um lugar especial do coração. Agora, passou a ser. Eu precisava me lembrar desses dias bons lá, para entender que essa é uma recordação tão valiosa quanto os tempos da escolinha e os programas de TV da minha infância. Mas o mais estranho, e o que me fez contar toda essa história aqui, foi eu ter pensado na tia Cida e no quintal mágico dela justamente quando eu estava tão curiosa sobre o espiritismo. Assim como os Santos da igreja católica e as questões que tenho sobre a evangélica, essas coisas de espíritos talvez também não tenham explicação, mas eu ainda estou viva, e não vou desistir de achar as minhas respostas.
"Ah, e tia Cida, eu amo a senhora. Nunca disse isso enquanto a senhora era viva porque eu era muito menina pra achar necessário (ou talvez porque eu nunca tenha pensando em amor, entende?), mas agora eu sei que amo, e que sempre amei e admirei. Também amo o tio Hélio. E pode acreditar, vocês fizeram muita diferença em quem eu sou hoje e no tipo de vida que quero dar aos meus filhos. Desculpe por demorar tanto para trazer as suas lembranças para a parte de lembranças especiais do meu coração. Como dizem no espiritismo, é tudo uma questão de evolução, alguns ainda não estão preparados para esta doutrina, e agora acho que a minha evolução finalmente alcançou um estágio mais alto, em que eu posso entender coisas sobre mim mesma que eu nunca entendi antes, e resgatar as minhas memórias mais especiais.
Mais uma coisa: eu sinto a sua falta."
PS: a Natalí acha que os meus sonhos (sim, eu tenho graves problemas com eles, qualquer dia eu conto aqui) são uma mediunidade levemente desenvolvida que eu tenho. Ui. Será?! oO
PS2: Fazia tempo que eu tinha desanimado desse blog, né? Mas agora eu tenho um novo plano pra ele... hohoho por isso escrevi tanto hoje, é início de um novo tempo do Infinito Particular. Aguardem!