Quando estamos apaixonados fazemos coisas malucas. A paixão traz consigo um fogo maluco, vontades malucas e acabamos fazendo coisas malucas. Conversas absurdamente picantes, amassos, transas casuais (ou quase isso). Tomamos cuidado com as atitudes e as palavras, pois não queremos que o alvo da nossa paixão saiba certos detalhes sórdidos sobre a nossa pessoa. (Estou tratando o assunto de forma geral, ok, não estou falando sobre mim ou sobre qualquer outra pessoa em específico. Pelo menos não nessa parte, rs)
Mas a paixão muda. Evoluindo ou regredindo, ela muda. Algumas paixões se tornam ódio, outras viram amizade. Algumas simplesmente somem da nossa vista e deixam saudades, de outras sequer nos lembramos (ou preferimos não lembrar).
Mas em alguns casos, de repente, a gente se descobre amando. E todo aquele fogo se transforma em uma coisa mais branda, porém contínua. A gente se senta para almoçar na sacada do restaurante e conversa sobre tudo. Assistimos a filmes conversando, sem se importar se isso atrapalha ou não a concentração do outro. Fazemos planos e nem nos assustamos com a possibilidade de uma toalha molhada em cima da nossa cama pelo resto da vida. (Sim, nessa parte estou tratando especificamente de mim).
E aí a gente despeja várias neuras e maluquices durante os diálogos e se impressiona por ser absurdamente compreendida. Só pode ser amor, né? Pior ainda é quando nos vemos cedendo sobre coisas que nunca imaginamos ceder, aceitando novas realidades que até então afirmávamos que jamais aceitaríamos. Você começa a ver com olhos de expectativa a possibilidade de ter um bando de filhos e perde totalmente o medo do parto, que antes você tinha. Você pensa em aumentar seu repertório de receitas. Se apavora ao descobrir que não sabe fazer vinco em camisa social. Tudo em nome de uma expectativa muito bacana que esse tal do amor tem criado em você. E sabe, tudo isso acaba sendo muito divertido e estimulante. É uma nova visão de vida, traz novo fôlego.
A gente é condicionado a dar valor ao amor romântico. E iosso é ótimo. Mas o amor nem sempre está livre de egoísmo, ciúme ou sentimento de posse. Nem sempre o amor é grande o suficiente para a gente pensar só na felicidade do outro. É preciso muito exercício mental para se lembrar de prezar a liberdade do parceiro.
Só que hoje posso dizer que a maior mudança pela qual passei desde o começo disso tudo é que eu aprendi a amar. Já imagino a saraivada de críticas só por conta dessa frase, mas é a mais pura verdade. Fazendo uma análise do passado e conversando com alguns dos meus "ex", percebo a minha total falta de noção na hora de demonstrar sentimentos. Eu era ciumenta, agressiva (ainda sou, mas em menor grau), controladora (ainda sou, mas em menor grau). Hoje sou muito mais carinhosa. A parte ruim dessa mudança é que eu gosto tanto de demonstrar meus sentimentos hoje, que acabo expondo demais minhas relações. Sou do tipo que posta foto, escreve posts apaixonados em blogs (rs), poe frases fofas no MSN... nem sempre sou correspondida dessa forma, e essas coisas bobas me fazem falta. Ou faziam. Nessa nova fase que eu estou chamando de amor, eu descobri que a minha necessidade disso é muito menor do que eu pensava. O que eu prezo agora (e idealizo muito ter) é o afeto físico. Contato. Abraços, beijos, carinho, cheirinho. Claro que o status "em um relacionamento sério" do facebook ainda povoa meus sonhos, mas não é mais tão fundamental.
O curioso é que agora, justamente quando aceito o amor por uma única pessoa e me sinto feliz por mudar meu comportamento, é a fase da minha vida em que mais e mais pessoas passaram a me amar, me querer, ou sei lá o quê (talevz seja apenas provação do capeta). Eu não lembro nem quando tinha sido a última vez que haviam demonstrado interesse em namorar comigo... mas a melhor parte é superar todos os interesses que vêm de fora e me focar num relacionamento em que acredito. É engraçado não sentir nem cosquinha quando alguém me chama pra sair e pensar que tenho um homem lindo me esperando. Em outros relacionamentos que tive, se outra pessoa demonstrasse interesse em mim, eu balançava. Hoje é como se essa realidade estivesse muito distante de mim. Minha mãe diz que isso é a maturidade me possuindo, rs, ou a adolescência se afastando. Espero que seja, e que permaneça assim. Afinal, eu namoro um homem, quero um relacionamento adulto e não um namorinho de adolescente.
Fico me perguntando como uma relação tão nova pode causar todo esse frisson em uma pessoa. Deve ser uma coisa muito de alma mesmo. Sabe quando as almas se encontram e se reconhecem? Mesmo tendo a distância pra atrapalhar, mesmo as pessoas não sendo perfeitas, mesmo os defeitos atrapalhando, ainda assim a gente se sente nas nuvens, dá pra entender? Se isso não é amor, não sei o que é. Ou pode ser uma coisa construída. Amor físico é lindo (e deve ser ótimo), mas quando ele é construido antes de se tornar físico é ainda mais bacana, porque vira amor real primeiro, e só depois amor físico (ou carnal). Acho que isso tem feito toda a diferença...
E as pessoas devem se assustar, né, inclusive o alvo desse sentimento deve achar que eu sou louca por dizer essas coisas, mas a questão é que eu mesma não consigo entender como isso aconteceu, e escrevendo eu consigo analisar melhor as situações ;]
Sei que o post está piegas. Mas isso é uma verdade tão absoluta na minha vida que precisava reiterar. Antigamente eu falava do assunto de vez em quando, mas fiquei tão absorvida pelas energias negativas que acabei esquecendo do que é realmente importante. Ame. Elogie. Dê carinho. E isso sem esperar nada em troca. Você pode mudar a vida de alguém. E a sua, claro.






0 Comments:
Post a Comment