sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Descrição

Por trás da cara amarrada existe sentimento. Pouco expressado, pouco vivido até. Sentimento que as pessoas desconhecem, porque vem disfarçado por um sarcasmo amargo, um ego inflado e um cavanhaque que redesenha um queixo marcado. Cativo a poucos amigos, fechado para aproximações reais, apenas disposto a conversas superficiais na maioria das vezes. Isso, quando. Facilmente “rotulável”, dificilmente afável.

Cabelos penteados de forma moderninha contradizem com as roupas que o acusam de ser mais velho e mais sério do que de fato é. Por mais que desvie os olhos quando encarado, pode-se notar através deles que esconde alguma coisa, uma coisa grande, e não só as pequenas coisas cotidianas que seu jeito imaturo lhe acusa de esconder freqüentemente. Talvez seja uma dor, uma alegria, um sonho, uma grande saudade, uma admiração, ou só uma dor de barriga... é uma pessoa pouco perceptível nos primeiros contatos, mas com algum tempo de convivência, ou de observação, não fica difícil saber prever o que se passa em sua cabeça; torna-se previsível demais, sem surpresas (boas ou ruins), o que não é necessariamente um defeito, já que envolvimento demais com pessoas fascinantes demais quase sempre terminam mal.

Acaba sendo “mais um na multidão”, diferenciado apenas por sua classe e estilo, pelo nome herdado do ‘grande homem de verdade’ e pela paparicação alheia que lhe cabe sem grandes conseqüências. As listas verticais lhe fazem parecer mais magro e mais alto. O inseparável copo de café revela seu lado inquieto.

O precário material que carrega revela desorganização e despreocupação, que lhe são, de fato, desnecessárias. Mas uma coisa encanta: ser bem sucedido e ter a vida pronta a sua espera não o faz desistir do sonho e da necessidade de aprender, de fazer o que veio fazer aqui. Não tem muita noção das coisas que diz ou faz, parece não medir palavras e não tem medo das conseqüências disso.

Talvez não dê a atenção necessária à sua vida particular, talvez não lhe dê nem mesmo a importância que deveria, sua expressão inane ao mundo fica ainda mais inerte quando o assunto é o que acontece além de sua carapaça de maioral. Não dá os créditos. Não aparenta chorar nunca. Não demonstra tristeza, talvez simplesmente porque essa palavra não exista em sua vida. Mas também não demonstra alegria... apenas risos abafados quando alguma coisa lhe faz cócegas nos neurônios. Mas não esconde admiração quando sente.

Não esconde pressa. Não esconde insatisfação. Nem decepção. Mas ainda esconde um pouco quem é, acho que zela pela segurança de sua alma, e, por mais que isso incomode algumas pessoas, ele não está errado em zelar por si mesmo.

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