quinta-feira, 20 de março de 2014

O mundo dá voltas...

Encontrei este rascunho antigo aqui no blog e resolvi publicar apenas para me lembrar que ele não faz mais nenhum sentido. Graças a Deus! A vida muda quando vocês menos esperam, colegas, acreditem. Hoje eu sou o brilho nos olhos de alguém, e, ainda que tenha levado 26 anos, eu entendi que o amor verdadeiro derruba os feminismos (só os errados) e modifica a natureza pouco apegada de certas almas...

*

"Depois de algumas horas conversando com meu mais novo melhor amigo de infância, me dei conta de que eu não sou uma pessoa especial. Não, este não é mais um post sobre a minha autopiedade, é apenas uma reflexão esclarecedra (para mim mesma mais do que para qualquer um de vocês que eventualmente lerão este texto) de quem eu sou. 

Claro que meu amigo não me disse que sou uma "boston", mas ele estava me contando sobre a ex namorada e como ela é linda, maravilhosa, educada, culta, sabe falar de política, gosta de futebol, fala trocentos idiomas, fez intercâmbio em duzentos lugares e etc. Tudo isso me fez perceber que eu sou uma pessoa hedionda.

Eu gosto de futebol, vejo jogos, adoro automobilismo, gosto de andar de moto, tenho posicionamentos político e religioso, curto antropologia, sociologia, filosofia, leio muito, ouço muita música, adoro rock, tenho alguma bagagem cultural, sou inconformista, questionadora, não sou cheia de luxos, me arrumo em 15 minutos e mesmo assim nunca os olhos de ninguém brilharam enquanto eu era descrita para uma terceira pessoa. Isso me arrasou.

Me dei conta de que, o que são qualidades em certas pessoas, são defeitos em outras. O fato de eu ser liberal, bacana, falar palavrão e xingar o juiz do jogo não me fazem especial como a fulana do meu amigo, me fazem uma mocinha desbocada, não mimosa, nada fofa, e isso afasta as pessoas e faz com que todos os homens me vejam como um parceiro, um mano.

O fato de eu ser politizada me faz ser vista como um diplomata com quem se pode conversar por horas, mas não como uma moça inteligente com quem se 'deveria' namorar. 

Ser inteligente também é um defeito. Eu nem me acho inteligente, me acho uma pessoa normal, que conhece a maneira correta de escrever a maioria das palavras e sabe concordância, nada demais; no entanto "você é inteigente" é um elogio que me persegue desde pequena. Este não é um parágrafo de falsa modéstia nem nada do tipo, estou sendo sincera e tentando entender o que as pessoas notam em mim que talvez eu mesma não esteja percebendo. Bom, voltando ao assunto, as pessoas me julgam inteligente, e isso não é bom. Não é bom porque também as afasta. Não sei exatamente o motivo que faz com que uma pessoa se afaste de alguém que ela acha inteligente, mas juram por ai que isso existe... e talvez essa seja uma boa justificativa para explicar o isolamento em que eu vivo (nossa, larga de ser exagerada e dramática, Marcela!).

Ao que parece (e pelo que já me disseram) especialmente os homens tem medo de mulheres inteligentes. Eles tem medo de que elas saibam argumentar com eles, os corrijam em público, tenham empregos melhores, ganhem mais, etc. Continuo achando uma babaquice. Que mundo machista, um mundo em que a mulher não pode ter um pouco mais de conhecimento que o homem... qual o problema nisso? O conhecimento é muito relativo, uma mulher pode saber muito mais de mecânica que o marido, mas ele com certeza sabe mais do que ela em alguma área. E mesmo que, teorcicamente, ela seja melhor em tudo, qual o problema??? Porque o homem PRECISA ser sempre superior à mulher? Valha-me Deus...

Os homens deviam levantar as mãos pro céu quando encontram uma mulher mais inteligente que eles... você vai ter pra quem perguntar como se escreve uma palavra quando tiver dúvida, mané! Sempre terá alguém para te mostrar um prisma que você não enxergava em uma situação... Sem contar que seus filhos serão muito bem educados ;) Ah, sem esquecer que esta mulher também pode te ensinar os truques de Silent Hill hahahhahaha 

Outro "defeito" estranhíssimo que eu tenho é não ser "chicletona". Se algum dia eu me casar, vou ter que aprender a ver uma pessoa todo santo dia e ainda gostar disso, porque uma caracteristica minha é que sou absolutamente de boa. Adoro ficar em casa, sair com a minha família, ir dormir na casa da minha melhor amiga, viajar sozinha... não fico 24h por dia ligada no celular e, acredite, quando posso me desligo de internet. Não preciso ver o namorado todo santo dia ou todo final de semana. Prezo a liberdade individual de cada um. Isso deveria ser ótimo para os homens, eu suponho. Mas não... sempre tem alguém brigando comigo porque não liguei a noite, não mandei mensagem o dia inteiro, não apareci no skype, não estive disponível na sexta-feira... resumindo: é muito difícil ser eu hahahahahaa"



PS:  sim, eu gosto de utilizar nomes e trechos de músicas nos títulos dos posts. Eu gosto muito de música e pra mim isso faz muito sentido. Obrigada, de nada. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Minhas razões amorosas


Sobre os meus grandes amores platônicos, eu gostaria de dizer o seguinte:



Humberto Gessinger - Engenheiros do Hawaii - eu o amo mais hoje do há 15 anos atrás. Continua lindo (cada vez mais belo, cada vez mais velho, cada vez mais...) mas as suas ideias mudaram um bocado. Sua música mudou um bocado. E, embora eu tenha hoje a idade que ele tinha quando comecei a amá-lo e admirá-lo, eu me garanto mais platonicamente apaixonada hoje pelo Humberto de 50 anos do que pelo Humberto de 25 anos. Hoje eu admiro o homem calmo, o grande músico, o escritor, o marido que defende a fidelidade, o bom pai. 




Brian Littrell (sim, o dos Backstreet Boys) - Eu conheci a banda aos 8 anos de idade, mas foi aos 11 que eu me rendi ao amor platônico e devastador pelo loirinho de olhos azuis, líder da boy band. Segui afirmando ser Marcela Littrell por uns 10 anos. Quase morri do coração quando ele casou e quando nasceu o Baylee. Mas hoje o eu amor por Brian é muito mais puro e verdadeiro do que aos 11 anos. Naquela época eu gostava do timbre da voz, do estilo de cantar, das letras românticas das canções, das coreografias, dos olhos azuis... hoje eu admiro o temor dele por Deus, o apreço por aquela esposa e filho que um dia eu odiei (rs), o coração humanitário.




Miguel Thiré - Confesso que, a principio, também me apaixonei pelo cabelo loiro e os olhos claros do neto da Tonia Carrero. Hoje, minha maior admiração por ele é de fato pelo trabalho que ele desenvolve. Ele estará de volta à Globo na próxima novela das 21h, e durante este tempo todo em que esteve sumido, minha admiração por ele cresceu, pois acompanhei seu incrível trabalho no teatro.




Antonio Prata - O único não loiro no meu hall de amados. O único que não tinha uma imagem publica (no começo da minha grande paixão, ainda na era Capricho, era bem difícil achar uma foto dele, mas quando achei cai ainda mais de amores). Minha paixão por Antonio nasceu através da expressão de suas ideias; em muitas coisas eu concordava com ele, em outras tantas ele foi o responsável por me auxiliar na criação do meu ponto de vista (ainda inexistente naquela idade para algumas coisas). Há algum tempo eu comecei a repensar o meu grande amor por Antonio, pois comecei a observar o afinco com que ele rejeita a Deus (o que para mim é um dos poucos defeitos que considero imperdoável em um homem). Hoje, se as ideias dele sobre si mesmo mudaram, as minhas ideias sobre ele também não devem permanecer inalteradas, certo? Eu me apaixonei por aquele Antonio, o intelectual, o do bar ruim, o meio de esquerda... Hoje eu o amo pelo talento, pela ironia fina em seus textos, pelas idéias que ele não reluta em mudar se achar necessário e, principalmente, pela grande mudança (leia-se amolecimento) que notei nele após o nascimento de sua primeira filha, Olívia, em 2013. 

*

Claro que eu admirei muitos homens (e também mulheres) como atores, escritores, músicos, intérpretes, mas estes citados aqui foram os que marcaram  a minha vida e realmente me despertaram sentimentos. Eu quis escrever isso apenas para registrar neste blog as minhas razões amorosas por outros antes que eu as esqueça, uma vez que agora meu coração só conhece razões amorosas por uma pessoa :)
Obviamente o meu amor por cada um desses caras citados era coisa de adolescente, admiração confundida com amor. O amor de hoje é muito mais puro, límpido, sincero e maduro. É amor pelas pessoas e por suas obras e não aquele sonho bobo de casar com o Brian, por exemplo. Achei importante ilustrar aqui como a gente muda com o passar dos anos, como o nosso olhar sobre as coisas muda. Como passamos a entender que amor real, aquele amor de paixão, é totalmente diferente... 

Inúmeras vezes eu escrevi neste blog sobre amor. Claro, o intuito dele é ser um blog sobre amor. Os meus amores, contos de amor, crônicas (que de alguma maneira falem de amor), textos dispersos... tudo sempre sobre amor. No entanto, nem sempre o que escrevi aqui era sobre alguma situação real que eu estivesse vivendo (infelizmente, bem que eu queria ter encontrado o amor todas as vezes que fiz parecer isso). Muitas vezes as frases e declarações escondidas (ou escancaradas) nos textos eram apenas divagações da minha alma romântica e criativa. De agora em diante, isso mudará. Peço que você, querido leitor, troque os olhos de lugar com o coração cada vez que abrir este blog. Serei sincera. Serei visceral. E não exitarei em contar aqui todos os desdobramentos da minha alma e do meu coração com relação ao amor. O motivo? Bom, razões amorosas sinceras, verdadeiras, intensas e que tendem a durar para sempre. Pode ser que não exista perfeição, mas tudo me leva a crer que o banner deste blog (Amores IMPERFEITOS são as flores da estação) será desmistificado... 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Construindo pontes indestrutíveis

**Um texto longo, porém simples, direto e emocional sobre o que eu espero de mim mesma para o futuro. Não leia se você for preguiçoso ou se não quiser pensar sobre a sua própria forma de ver o mundo.**



Alguns diálogos são inspiradores. Ou talvez as pessoas com quem os mantemos é que sejam inspiradoras. O caso é que, em um diálogo ontem, eu me dei conta de um traço da vida que eu nunca havia parado para analisar:  a privacidade é uma benção que precisa ser bem administrada. 

Explico. Muitas vezes desejamos tão intensamente a nossa privacidade que nem notamos como ela pode ser prejudicial, nos afastar das pessoas e nos privar de situações especiais. Parei para pensar em como seria a minha casa... não muito grande, funcional, confortável... com poucos banheiros. Sim, poucos banheiros. E poucas TVs e computadores também. E, se possível, com armário compartilhado no quarto do casal.

Explico de novo. Eu pretendo ter entre dois e quatro filhos. Dois se a situação não for lá das melhores e quatro na melhor das hipóteses. Lembrando que o último filho será adotivo e virá quando os outros já forem grandes, para a casa não ficar muito solitária até a chegada dos netos. Eu pretendo que a casa tenha apenas  dois banheiros, um para o casal e um para as crianças dividirem. Polêmico? Acho que sim. E o intuito é justamente esse. Como uma família pode ser completa sem que os filhos briguem pelo banheiro? uahauhuahauhauhahaua

Dividir as coisas é, ao meu ver, uma boa maneira de se aprender a ser uma pessoa melhor. Ser educado para dividir os brinquedos e o quarto é relativamente fácil, quero ver é neguinho aprender a respeitar o outro e a entender que não dá para monopolizar o banheiro porque os irmãos estão esperando. Dessa forma eu pretendo que eles aprendam a ser altruístas e espertos, pois vão ter que pensar em outras maneiras de se maquiar ou ler revista imprópria sem prejudicar o resto da família (rs). 

Nos meus tempos (não só de criança, é assim até hoje, viu) nós só tínhamos (temos) um banheiro em casa e ninguém morreu por causa disso. Nos tempos dos meus pais, eles só tinham um banheiro, e que ainda por cima ficava do lado de fora da casa. Minha mãe conta que existia até um penico embaixo da cama para as emergências da madrugada hahahaha É possível sobreviver. E não, não acho que estarei fazendo com que meus filhos deixem de desfrutar das coisas que o mundo moderno pode oferecer só por não garantir uma suite com TV à cabo e internet para cada um. Eles ainda vão desfrutar o conforto, independente de ser de forma deliberada. 

Praticamente o mesmo se aplica à TV e ao uso de computadores (smartphones, videogames e tecnologias afins). Se cada pessoa da família tem sua TV (e etc), a vida se torna fácil demais... sem as brigas pelo controle remoto, como fazê-los entender a importância de abdicar algumas vezes em prol da felicidade do outro? Se um monopoliza o controle e o outro se distrai com o celular, qual o sentido de estarem sentados juntos diante da mesma coisa, sem interação entre si? Eu não sou contra nada, sou apenas contra o exagero, contra quem usa a televisão, o videogame e outras coisas para manter os filhos distraídos enquanto cuida da vida. Deixe a vida um pouco pra lá e cuide do filho! 

Tá, vou falar a verdade, sou meio contra TV também... ontem enquanto observava meu primo de 14 anos comer pastel lotado de katchup eu pensava em que diabos adiantou tanto chilique da minha tia quando ele era pequeno para que ele não comesse katchup, sendo que, agora que pode tomar as próprias decisões, ele faz tudo ao contrário... Por outro lado, entendo o alívio na consciência dela por ter "feito a sua parte". Prefiro pensar que o que (e se) eles verão na TV será escolha minha, pelo menos enquanto eu puder manter este controle. Não pretendo ser tirana, mas pretendo dar a boa educação que defendo como certa. No momento em que eu notar que eles estão prontos e maduros o bastante para fazerem as próprias escolhas, eles as farão, e tenho certeza de que vou me orgulhar disso (a minha tia, ao meu ver - mais uma vez - nunca fez as suas restrições da forma correta. Gritos, chiliques e proibições ao invés de explicações não são a melhor maneira de ensinar. Imposição da própria vontade ou crença sobre outro ser humano é, alem de errada, uma forma muito falha de educação. Talvez por isso ela não tenha obtido sucesso com o katchup...) 

Além do mais, acho que a TV e a internet liberadas muitas vezes atrapalham a reunião familiar. Aqui em casa dificilmente fazemos as refeições todos juntos em volta da mesa e rarissimamente sentamos todos na sala para ver um programa juntos. Sinto falta disso e espero conseguir introduzir uma rotina humana e próxima na minha futura família. 

Outro ponto importante: o compartilhamento de coisas pelo casal, e não apenas pelos filhos. É relativamente simples educar os filhos para compartilhar tudo, querendo que desenvolvam senso comum, altruísmo e se liguem emocionalmente, mas é muito mais difícil impor isso a si mesmo e ao seu parceiro. Virei a cabeça para o lado e me dei conta de que o meu armário era, antes de nos mudarmos para esta casa (onde tem armário embutido no quarto dos meus pais) compartilhado por eles. Eu e minha irmã caçula compartilhávamos outro armário. Durante muitos anos meus pais dividiram um armário pequeno, e não é daqueles que tem dois lados iguais, não, o armário tem apenas um lado para pendurar peças, um lado com gavetas e um lado com prateleira, ou seja, paletós e vestidos se enlaçavam na mesma divisão do armário (como na canção de Chico Buarque que segue abaixo deste texto). 

Era muito simples quando minha mãe pedia que meu pai pegasse os sapatos azuis no armário. Ele ia lá e pegava. Hoje, vejo minha mãe pedir para que ele pegue os sapatos azuis, ele abre todas as portas, fuça tudo e não encontra nada que esteja no lado privado dela no armário embutido. Eles desaprenderam a conhecer um ao outro, porque não compartilham mais da maneira como o outro lida com suas coisas, com a organização (ou a falta dela). Meu pai não sabe mais como minha mãe se organiza. Eles têm quase 30 anos de casados e talvez este detalhe não prejudique a relação deles, mas penso que um casamento novo tem muito a perder sem a prática do compartilhamento, do conhecimento mútuo, das pequenas discussões (e concessões) por espaço e arrumação adequada.

Hoje em dia existe todo um drama sobre o parceiro possuir as senhas do outro e etc. Meus pais dividiram os três primeiros aparelhos celulares que tiveram. Hoje, cada um tem o seu, mas não existe essa de não ler as mensagens. Os aparelhos não tem senhas. Nenhum dos dois possui redes sociais e afins, mas, se possuíssem, tenho certeza que a senha seria uma coisa óbvia, que um nem precisaria perguntar para o outro porque ficaria subentendido que não é um segredo. Entendo que tenha gente que prefira ter o seu espaço, não compartilhar senhas, e cada filosofia se aplica de uma determinada maneira para cada casal. No entanto, acho que quem defende muito o próprio espaço e não permite nunca que alguém entre, ou é egoísta ou tem algo a esconder. 

Testemunhei o seguinte acontecimento alguns dias atrás: minha amiga recebeu um whatsapp de um amigo avisando que ela estava com vírus no facebook. O celular dela não era smartphone e ela não tinha como acessar a conta para alterar a senha. Ela ficou desesperada, "coitada". Cogitou ligar para o namorado e pedir que ele alterasse a senha dela. Depois voltou atrás: "não posso passar minha senha para ele sem fazer a limpa antes". Me perguntei que o mundo é esse em que uma garota que namora há SETE ANOS tem que esconder detalhes da vida do próprio namorado? Aliás, que mundo é esse em que uma pessoa que namora há milênios faz algo que precise esconder? Bom, sei que cada um é cada um, mas eu, sinceramente, não me encaixo no tipo de pessoa que morreria se perdesse o celular na rua com todas as conversas do whatsapp e do facebook. Se fiz, pode ter certeza que foi quando era solteira e não devia nada pra ninguém. 

Como eu exemplifiquei acima, meus pais sempre dividiram tudo... o casamento deles já dura 30 anos. E o seu último namoro, em que cada um tem a sua exagerada e adorada privacidade, durou quanto? Em um mundo em que tudo é motivo de receio e desconfiança, o diálogo intenso e sincero é extremamente importante. Respeito. Cumplicidade. De que adianta ter um marido/namorado se você não o considera amigo, parceiro, truta? Vejo que essa é uma grande causa de tantos relacionamentos não darem certo. O amor sozinho é só o amor... o tesão sozinho é só o tesão... o amor e o tesão juntos é bacana, mas ainda não é ideal. O amor unido à amizade, ao tesão, ao respeito, à parceria, à confiança, à intimidade, ao riso sincero e solto é muito mais valioso e duradouro.

Eu acredito sim na pessoalidade, na necessidade de particularidade, mas acho que tudo tem limite. Nada precisa ser escrachado demais, nem recluso demais. Sou a favor do equilíbrio, sempre. E sou a favor também de cada pessoa viver do jeito que julgue melhor para si. O que escrevi aqui é a maneira que eu julgo apropriada para mim e para a família que quero construir. Pode ser que, no fim das contas, nada saia desse jeito devido a imprevisibilidade da vida, mas eu tenho fé de que o plano dará certo, principalmente porque encontrei um parceiro que pensa na mesma linha que eu e, quando não pensamos parecido, damos um jeito de entrar em acordo. E o principal, tenho fé de que o plano será posto em prática logo :) 

Você deve estar me julgando como hipócrita por falar tanto sobre amor e família sem que eu tenha... e eu te entendo. Mas eu sempre me julguei uma ótima psicóloga. Acredito que fui agraciada por Deus com um entendimento amplo e simples sobre a vida e, pasmem, sempre consegui ajudar muita gente apesar da falta de experiência prática. Passei por muitas coisas que me fizeram crescer e amadurecer rápido, e creio que cada degrau que eu subi foi para que eu estivesse pronta, como estou hoje, para dar início à uma vida amorosa e à uma família estruturada. Não me superestimo e não acho que vou criar o relacionamento perfeito nem ter filhos perfeitos, mas acredito (feliz e em paz) que estou fazendo escolhas certas, baseadas em experiências que vivi por um determinado motivo... agora é pagar pra ver ;)


PS: Me perdoem pelo titulo, não consegui pensar em nada melhor. E, convenhamos, fez sentido, rs.


terça-feira, 4 de março de 2014

Explode, coração!

Desde meados de fevereiro, quando aconteceu, eu estou buscando um jeito bonito, leve e verdadeiro de transcrever aqui (já que este blog acompanha minha vida há 8 anos e eu gosto de marcar meus momentos importantes com posts). Não estava conseguindo escrever... Minha mãe diz que é porquê quando encontramos a última paixão de nossas vidas, ela é absolutamente diferente de todas as outras. Eu já havia esmiuçado meus sentimentos neste blog diversas vezes, mas desta vez é tão diferente que eu sequer estava conseguindo fazer isso. Desisti de tentar expressar em palavras essa nova fase até que ele, o motivo das minhas andanças pelas nuvens, me presenteou com uma canção que descreve exatamente da maneira como eu queria descrever este sentimento. Não preciso dizer mais nada!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A primeira depilação

"Tenta sim. Vai ficar lindo."

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.

Mas  acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer,  porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava  que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.

- Vai depilar o quê?

- Virilha.

- Normal ou cavada?

Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

- Cavada mesmo.

- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?

- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.

Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona.

Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.

Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.

Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.

Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas.

Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era

O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?

- é... é, isso.

Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.

- Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.

- Assim?

- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.

- Arreganhada, né?

Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.

Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.

Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.

Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.

Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.

Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.

- Quer que tire dos lábios?

- Não, eu quero só virilha, bigode não.

- Não, querida, os lábios dela aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.

Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.

- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta".

Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?

- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la.

Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?

- Hein?

- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.

Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?

- Hein?

- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava De cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:

- Tudo bem, Pê?

- Sim... sonhei de novo com o cú de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cús por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera.

Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo.
Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.

Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.

- Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.

- Máquina de quê?!

- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.

- Dói?

- Dói nada.

- Tá, passa essa merda...

- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?

- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.

- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar...namorar. .. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.

Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda,  protestar contra isso.


Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Das explicações

Explicando a postagem anterior, já que eu recebi alguns comentários "infames": sim, principe encantado existe. Digo isso pelo seguinte, principe encantado não é o cara que ouve musica romântica, manda flores, quer casar com você e ter 7 filhos.
Principe encantado é o cara que te ouve, que chama pra pegar um cinema sem pensar em te levar para o motel em seguida. Ele quer te comer, sim, mas esse não é o foco. Ele quer trepar com você, quer fazer amor, quer meter, mas quer acima de tudo estar com você. Ele é O Cara simplesmente porque ele quer ser O Cara, e não apenas "mais um cara".
O principe encantado segura sua mão; quando te deixa em casa, ele espera você entrar para ver se está tudo bem antes de arrancar com o carro. Ele te mostra os filmes mais legais, as bandas mais incríveis que você nunca tinha ouvido falar. Ele fica contente quando você quer mostrar a ele aquela comédia romântica babaca. Ele adora as bandas que ele ainda não conhecia e que você apresenta.
Ele te acompanha ao show da Cláudia Leitte (eca) mesmo sendo fã do Metallica, só para te ver feliz.
Ele te elogia, mas também te critica. Te incentiva, te ajuda a crescer, mas também te mima. Ele não é perfeito, mas até mesmo os defeitos dele cabem perfeitamente entre vocês.
Ele conhece a sua família, agrada a sua mãe, vê futebol com o seu pai, ele assume o que há entre vocês. Porque colocar uma mulher no carro, comer e devolver na frente de casa qualquer um faz, mas ele não, ele é mais do que isso. Ele te leva para passar o final de semana na casa dos pais dele.
Esse cara, esse que te completa e que se sente completo com você, ele é um só. Cada mulher (ou cada homem, por que não, né) tem o seu, feito sob medida. O principe encantado da fulana pode não ter nada de especial pra mim. Este, o que é especial pra você, é o que você deve agarrar. Dificilmente ele vai e volta. Uma vez perdido, ele se tornará o principe encantado de outra, ou (ainda que raramente) viverá sozinho para sempre. E os próximos que entrarem na sua vida não terão o mesmo encanto... eles podem ser sensiveis, mas vão querer apenas sexo. E acredite, isso não é uma coisa boa (não o tempo todo). 

Das realidades

Bom, as minhas conclusões sobre a vida são as seguintes: o príncipe encantado existe, sim. Mas ele só vai passar pela sua vida uma vez. Depois disso, não se iluda, garota (ou garoto). Todos os outros, por melhores que pareçam inicialmente, serão apenas tarados disfarçados. 
Não deixem o principe escapar... são muito escassas as chances de tê-los de volta depois, e o mundo real é altamente decepcionável. 


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ajudinha Hawaiiana

Olá, amiguinho (a)! Caso você acesse este blog e tenha Facebook, por gentileza, me ajude a ganhar este concurso votando no numero 2. Sou muito fã de Engenheiros do Hawaii e preciso desta massagem no ego hahahhahha

Basta colocar este link na sua barra de navegação ( http://zip.net/bckFW6  ) e comentar a foto com o número 2.

Serei eternamente grata! Obrigada!

http://zip.net/bckFW6 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Este blog está parado...

... porque a minha vida está agitada :)

Em breve eu dou ar da graça! Obrigada pela presença =*

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Das rebeldias




“É uma intrusão nos direitos humanos básicos”, disse o criador da web, Tim Berners-Lee, sobre a revelação de que empresas como Google, Facebook, Yahoo, Skype e Microsoft colaboram com o governo dos EUA no programa de espionagem Prism. Um vazamento na semana passada mostrou que autoridades americanas têm acesso aos dados e informações dos usuários dessas empresas há sete anos. Para Berners-Lee, programas do tipo ameaçam as fundações básicas de uma sociedade democrática.

“É uma intrusão nos direitos humanos básicos”; a mesma expressão serve para justificar o que aconteceu no Brasil ontem: os protetos contra o aumento das tarifas do transporte público, que são um insulto à inteligência das pessoas. Subir as passagens de transporte em meio a construções de estádios e politicagens diversas é uma provocação desavorganhada a nossa capacidade de enxergar e uma demonstração clara de que nossos governantes não temem a nossa retaliação e o nosso "barulho".

Até quando os cidadãos serão mediocrizados desta maneira? O Brasil precisa ter mais consciência política e humanitária.

Tim Wu, professor de direito na Universidade de Columbia, foi radical ao comentar sobre o caso: “saia do Google, saia do Facebook”, ele disse. “É legal ficar em contato com os amigos. Mas eu acho que se descobrir que essas empresas estão envolvidas nesses programas de espionagem, você deveria sair.” 

Ok. Podemos sair do Google, podemos sair do Facebook, podemos utilizar a Deep Web (não, ela não é de todo ruim, quebras de sigilo e coisas importantes como o Wikileaks saíram de lá), mas como vamos sair do Brasil? Como vamos sair do nosso cotidiano?  Sim, eu estou misturando dois assuntos distintos para mostrar como ambos os acontecimentos estão ligados: as pessoas são feitas de bobas por seus governos, vivem tranquilamente sem se darem conta dos abusos que sofrem. 

E nós, brasileiros, somos tão "cegos" que, além dos abusos do nosso próprio governo (como o aumento da tarifa e outras coisas), somos vigiados pelos governos brasileiro e americano através da web e sequer damos a devida importância ao assunto!

O brasileiro rouba clips e canetas do local de trabalho (como se pegar coisas pequenas e de baixo valor não fosse roubo). Faz gato de luz. Usa decodificador para pegar sinal livre de TV à cabo. Passa o troco errado. Rouba sinal Wii-Fi do vizinho. Fala mal dos "amigos". E ainda quer que os políticos sejam honestos. Dá licença também viu... não adianta ficar reclamando e fazendo protesto enquanto a sua consciência pessoal também não mudar. "Seja a mudança que você quer ver no mundo". Comecemos por nós mesmos! E isso não é utopia... é aquela velha história do papel jogado no chão: cada um de nós joga um papelzinho e no final são milhões de papeizinhos para entupir bocas-de-lobo e causar outros estragos. Se cada um de nós for só um pouquinho utópico e correto, o mundo melhora!

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  Eike menina rebelde! (sim, eu adoro ser irônica, especialmente comigo mesma S2)
 
 
Com informações da Revista Galileu