A internet é um oceano profundo e sem fronteiras. Não há como pará-la. Uma vez que uma informação cai na rede, é praticamente impossível resgatá-la.
Foi o que aconteceu com o caso do post chamado "Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)", originalmente publicado no blog
Resenha em 6 pelo publicitário Raphael Quatrocci, um dos colaboradores da página. A proposta do blog é resenhar em seis linhas (ou menos) produtos e estabelecimentos que donos e colabordores do espaço experimentam.
Após conhecer o Boteco São Bento, localizado na Vila Madalena, Quatrocci publicou uma crítica ácida e aparentemente pertinente sobre o estabelecimento. A referida crítica continha a seguinte passagem: "Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos." A internet é um excelente ambiente para a liberdade de expressão, justamente por isso deve-se tomar todo o cuidado com a amplitude dessa liberdade. É necessário bom senso, e acima de tudo, respeito.
Criticar estabelecimentos e serviços é algo extremamente válido, mas até mesmo para se evitar problemas com a justiça é aconselhável manter uma certa moderação, pois a linha que separa humor ácido e desrespeito é muito tênue. Expressar-se da maneira como se quer com certeza é o ápice da liberdade de expressão proporcionada pela rede, mas é importante se lembrar de que sempre há de se arcar com as responsabilidades por nossos atos. É como sempre ouvimos dizer: quem diz o que quer, ouve o que não quer.
No caso do texto de Raphael, o problema com a justiça foi inevitável, e de proporções gigantescas também graças a internet. A puplicação da crítica atraiu a atenção de um dos sócios do bar, Jonas Steinmayer, que deixou um comentário mostrando-se desgostoso com a opinião do blogueiro e finalizou com uma ameaça subentendida ao blog.
Logo o caso começou a repercurtir na internet, com inúmeros comentários no texto sobre o Boteco São Bento e com centenas de posts sobre o assunto espalhados por diversos blogs, em defesa da crítica de Quatrocci. Mas nem mesmo toda essa movimentação online foi capaz de impedir que os donos do estabelecimento solicitassem extrajudicialmente a remoção da postagem.
Um movimentos sugerido pelo blogueiro Carlos Cardoso teve como foco reproduzir na maior quantidade de blogs possível a postagem feita por Quatrocci, como forma de expressar indignação e enfrentar quem tenta reprimir a liberdade na internet.
No caso da crítica do Resenha em 6, não houve uma dosagem nas palavras do autor do texto, o que pode ter acontecido até mesmo por brincadeira e humor, e não com a intenção direta de denegrir a imagem do estabelecimento. Por outro lado, uma vez feita a crítica e defendido um ponto de vista, os donos do blog deveriam ter mantido a postagem no ar e lutado até o fim em defesa da liberdade em que acreditam, principalmente depois de tantas demonstrações online de apoio.
Por outro lado, os donos do Boteco São Bento não souberam utilizar com inteligência toda a repercussão (positiva ou negativa) que a internet é capaz de dar. Se tivessem utilizado o espaço reservado aos comentários do blog que fez a crítica para garantir melhoria no atendimento do bar, por exemplo, teriam dado outra perspectiva à sua própria imagem.
Neste caso, nenhum dos lados soube agir com bom senso e respeito ao próximo, o que é fundamental para quem quer ser capaz de utilizar a liberdade, que é direito de todos, mas que traz consigo uma gama de responsabilidades.
Veja abaixo a crítica de Raphael Quatrocci no Resenha em 6:
"Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento."