quarta-feira, 24 de outubro de 2012

E-stória - Parte II



Luísa havia acordado cansada. O peso dos dias começava a fazer diferença. 
Passou a mão nos cabelos e se sentiu estranha. Nunca havia tido os cabelos tão curtos antes. As decisões do dia anterior começavam a perder o sentido. 

Por quê mesmo havia resolvido se tornar outra pessoa? Será que aquilo tudo valia a pena? Será que abandonar toda sua essência só porque algumas pessoas não sabiam valorizá-la era mesmo o melhor?

E naquele dia nublado, Luísa começou a fazer o que fazia melhor: pensar. Começou a analisar a si mesma, as situações que vivia, as pessoas que conhecia e até as que não conhecia. Sentiu uma vontadezinha secreta de sorrir.

Não havia jeito. Mesmo tendo saído de mini saia na noite anterior, com o cabelo chanel pintado de vermelho cereja, salto alto e batom marcado, Luísa ainda se sentia a mesma menina doce, insegura, afetuosa. Mudar suas atitudes não mudava sua alma. Isso ela não conseguia fazer. 

Então decidiu adotar outra estratégia: ela não precisava mudar de verdade. Bastava não deixar que ninguém soubesse o que se passava dentro dela. Não se expor. Não se envolver. Não se apegar. 

Decidiu manter a pose. Limpou os olhos borrados de maquiagem e saiu. Tatuou uma frase que traduzia quem ela era e quem ela queria ser. O que nunca mudaria. 

Sentou-se na calçada e percebeu que as lágrimas fariam os olhos borrarem de novo. Não se importou. Não se importava mais em causar boas impressões. Tentou entender se as lágrimas eram por causa da dor causada pela tatuagem ou pela dor de estar viva.

Ficou sentada ali a tarde toda. A noite toda. E o outro dia também. Quando olhou para cima, franziu a testa pronta para a sensação que o sol causaria em seus olhos, mas havia uma sombra. Um homem 10 vezes mais forte que ela, duas vezes maior e 10 anos mais velho estendia a mão para trazê-la de volta à vida.



Continua...

Um comentário:

Mariana Motta disse...

Eu quero ler a continuação hoje!!!!ADOREI!!!