terça-feira, 23 de outubro de 2012

Quebra cabeças

Você consegue imaginar que uma mulher baixa, magra, de traços miúdos, voz doce e jeito inocente consiga matar um homem dez anos mais velho, duas vezes maior, e 10 vezes mais forte que ela sem portar facas, explosivos ou armas de fogo?

Carol matou Max. Em alguns minutos de conversa ela foi capaz de extinguir da face da terra um dos últimos exemplares de homem bacana que restavam. 

Enquanto milhares de mulheres (e homens também, por que não?) pelo mundo passavam sua vida buscando um cara gentil, bonito, que mandasse torpedos de bom dia e ligasse inesperadamente no meio da tarde só para dizer oi, Carol pegava o coração de Max, amassava e atirava na lixeira mais próxima.

Ela, apaixonada por um canalha sem nome, encontrou nos braços de Max carinho, proteção, afeto. E não menos humana do que era, se rendeu. Viveu um dias, dois, um mês... Só que a forma de enfrentar estes dias era muito diferente no coração de Max.

Para ela, Max era apenas o que faltava em sua paixão sem nome. Para ele, Carol era muito mais do que ele jamais havia tido em toda a sua vida. Ela era a peça que encaixava no quebra cabeças dele. Já ele era apenas o manual de instruções do jogo dela, aquele que você lê e, depois que aprende a jogar, larga em um canto qualquer, e vai jogar milhares outros de jogos parecidos. 

E foi assim que Max se deu conta de que não queria ser manual. Nem quebra cabeças. E depois de tanto afeto dedicado ao que ele imaginava ser o seu ápice, ele se deu conta de que estava, na verdade, tapando o sol que incomodava os olhos mestiços de Carol. Sem grandes causas nem grandes consequências. 

Rasgando tudo o que fazia com que se sentisse manual, Max radicalizou. Decidiu que também não queria mais montar quebra cabeças, porque sempre se perdia no meio, ou sempre estava faltando uma peça. As escolhas de Carol haviam feito com que o coração dele endurecesse de tal forma que nenhuma outra peça poderia se encaixar ali. 

O mundo perdeu naquele dia uma oportunidade de ser melhor. Porque ao desistir, Max deixava para trás o dom que fora concedido a poucos homens na terra: serem dignos, para formarem outros homens dignos. Ms não era culpa dele... algumas crianças simplesmente escolhem brincar. E ele havia sido o brinquedo da vez. 

Foi assim que Max morreu. E todos os jogos terminaram.



PS: eu não gosto de colocar hífen em quebra cabeças. Hífen separa. Já tem tanta coisa separada...


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