sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Triângulo

Clara já havia esquecido Jorge.
Havia esquecido seu cheiro, seu beijo sem graça, sua voz, os pequenos sentimentos que haviam começado a brotar por ele em seu coração. Mas Clara não podia apagar da memória os momentos...

Ela não podia esquecer aquele primeiro encontro, na noite fria, em que ela usava brincos grandes e ele reparou. Toda encolhida num cantinho da calçada, Clara era naquele momento o foco da observação de Jorge e, mais do que isso, ela era o foco de todos os desejos dele. Então ele a tomou nos braços, bem perto de si e a aqueceu. Primeiramente, de dentro para fora.

Ah! Todos aqueles momentos... os passeios de mãos dadas, as conversas incríveis, as saidas em família, o pique nique noturno com um certo cobertor... as flores, o presente, as cartas. Ela queria manter para sempre a rotina de carinho que tinham um com o outro. 

E ela pensou que sempre seria assim. Até que soube da existência de Paula. Paula, a namorada de Jorge. 
E tudo esteve ameaçado dentro de Clara. Mas a forma como Jorge a olhava era tão terna... ela não podia simplesmente apagá-lo. E continuou. Jorge dizia coisas e fazia promessas. Ela só continuou porque os olhos dele pareciam tão sinceros...

Mas no final - porque inevitavelmente chega um final - Jorge telefonou. E foi assim que Clara entendeu qual era seu destino. Aquele destino que ela semrpe negara... Não tinha jeito. Em um mundo justo, Paula seria amada verdadeiramente por outra pessoa e seria feliz, e Jorge estaria livre para cumprir suas promessas para Clara. Mas no mundo real, ela bem sabia, Jorge havia feito sua escolha.

E mesmo que ela nunca entendesse ou aceitasse, teria de conviver para sempre com a certeza de que alguns amores, por maiores que sejam, não foram feitos para dar certo.

2 comentários:

Pérola disse...

Mesmo o começo revelando o final do texto, confesso que torci para os dois ficarem juntos. A verdade é que a gente sempre espera os finais felizes e esquecemos que na realidade, histórias aparentemente perfeitas podem não dar certo. E por mais que a gente esqueça, sempre resta algum resquício, ainda que preso no passado.
Adorei seu texto, de verdade. Você tem talento. (:

Beijos!
http://perolairregulaar.blogspot.com.br

Edvaldo Reis disse...

Muito lindo, Marcela. Parabéns! Achei lindo!